Vivo numa Instituição ou com a Minha Família de Acolhimento

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Todos precisamos de alguém que cuide de nós e nos ajude a crescer. Precisamos de uma casa, de um lugar para dormir, de comida, de roupa para vestir, de brinquedos. Também precisamos de alguém que nos leve ao médico quando estamos doentes, que garanta que tomámos banho e que chegamos a horas à escola. E, acima de tudo, precisamos de quem nos ame.

Às vezes, por vários motivos, a nossa família não nos consegue dar uma ou várias destas coisas. E, por isso, ficamos a viver, durante períodos mais curtos ou mais longos de tempo, numa instituição ou família de acolhimento, onde os adultos procuram dar-nos aquilo de que precisamos e atender às nossas necessidades.

Mesmo quando na nossa família existiam muitos problemas ou nos sentíamos infelizes, pode ser muito difícil ficarmos longe dos nossos Pais e passar a viver numa instituição ou família de acolhimento implica muitas mudanças na nossa vida. Há sempre desafios a ultrapassar; pode ser difícil termos de nos adaptar a novas regras e conviver com outras crianças ou pessoas que não conhecemos. Mas também podemos sentir-nos melhor por estarmos num local calmo e seguro.

Ir viver para uma instituição ou família de acolhimento traz muitas perguntas: porque é que temos de ir?; o que vai acontecer a seguir?; os meus Pais e os meus irmãos ficarão bem?; o que me vai acontecer?; posso voltar para casa?; vou continuar a ver a minha família?; será que me vou adaptar?…

Quando vivemos numa instituição ou família de acolhimento podemos experimentar muitas e diferentes emoções. Podemos sentir-nos felizes e seguros, mas ao mesmo tempo tristes, abandonados, rejeitados ou preocupados. Podemos ter medo do que vai acontecer a seguir ou ficarmos zangados connosco, com os outros, com a instituição ou com a nossa vida. É comum sentirmo-nos sozinhos, sem controlo da nossa vida e perdidos, por estarmos longe de tudo o que conhecemos. Tudo isto pode causar muito stresse.

Às vezes ficamos a viver numa instituição e/ou família de acolhimento apenas durante alguns meses, noutros casos, durante anos. Normalmente, habituamo-nos a viver na instituição/família de acolhimento, sentimo-nos bem e até passamos a considerar alguns amigos e adultos como uma família. Vamos à escola, divertimo-nos, fazemos desporto ou outras actividades, celebramos o nosso aniversário e vamos de férias.

O processo de adaptação à vida numa instituição/família de acolhimento pode ser difícil ou demorado. É bom falarmos sobre os nossos sentimentos e dificuldades. Sempre que precisarmos podemos pedir ajuda a um adulto, como um Professor ou o Psicólogo da escola.

Governo continua a não cumprir a lei de proteção de crianças e jovens em risco

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Das 670 crianças até aos cinco anos que o Estado protege apenas 18 vivem com uma família.

O Governo continua a não cumprir a lei de proteção de crianças e jovens em risco e não se sabe quando é que a legislação vai passar a ser respeitada. A lei determina que sejam privilegiadas as famílias de acolhimento, sobretudo para menores de seis anos.

O Jornal de Notícias recupera na edição desta quinta-feira os números do último relatório CASA – Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens – publicado em novembro, para mostrar que a lei não está a ser cumprida.

De acordo com o relatório, 97% dos menores à guarda do Estado vive em instituições de acolhimento em comparação com os 3% que estão com famílias de acolhimento.

O último relatório CASA que faz a caracterização anual da situação de acolhimento das crianças e jovens revelou que das 670 crianças até aos cinco anos que o Estado protege apenas 18 vivem com uma família.

O número é baixo e tem vindo a diminuir, apesar de a lei portuguesa de proteção de crianças e jovens privilegiar o acolhimento familiar, sobretudo para menores de seis anos.

O Jornal de Notícias revela que a lei não está a ser cumprida e o executivo admite que não há data para que a lei seja posta em prática, enquanto não existirem meios suficientes para fiscalizar o acolhimento familiar.

Um estudo recente, conduzido pela Escola Superior de Educação do Porto concluiu que os menores sob proteção do Estado vivem melhor em famílias do que em lares. Paulo Delgado, o investigador que conduz o estudo revela ao JN que os dados mostram até que não há grande diferença estatística no bem-estar das crianças em famílias de acolhimento e das que vivem na população em geral.

Olhando para a Europa, países como a Espanha e a Itália têm mais de metade das crianças institucionalizadas a viver com famílias. Na Irlanda e na Noruega a taxa ronda os 90%. O JN contactou o ministério da Segurança Social para saber o que está a ser feito para combater a falta de meios para fiscalizar as famílias de acolhimento, mas não obteve resposta.

À TSF, a tutela refere que nada tem a acrescentar às declarações feitas pela secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, na altura da apresentação do relatório Casa, quando Ana Sofia Antunes declarou que a grande preocupação “é que o acompanhamento numa família não é o mesmo de uma casa de acolhimento, temos de garantir que temos meios para fiscalizar as famílias de acolhimento, e é isso que tem atrasado a regulamentação.” Mas a governante deixava então garantias de que nova legislação estaria para breve.

Manuel Coutinho: “É preciso que os portugueses estejam sensibilizados também para serem famílias de acolhimento”

O psicólogo Manuel Coutinho, secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança, defende – em entrevista à TSF – que as famílias portuguesas que tenham condições para tal devem estar abertas a receber em suas casas crianças e jovens que tenham sido temporariamente retiradas às famílias.

“Isto é uma situação muito complexa. É verdade que todas as crianças têm o direito de crescer numa família e todas as crianças têm direito a ter um ambiente que lhes dê boas condições para se desenvolverem, principalmente até aos seis anos. No entanto, é preciso que existam essas famílias e é preciso que os portugueses estejam sensibilizados também para serem famílias de acolhimento, porque não se pode entregar uma criança que já está privada da sua família a uma família qualquer que não esteja preparada.”