Como todos sabemos 2020 foi um ano diferente para todos, mas não por isso que nós em Candeia deixamos de fazer aquilo que mais gostamos, animar os nossos faíscas, fagulhas e fogueiras. Apesar de ser de todas as maneiras de que não estávamos habituados, abraçamos esses modos e fizemos o nosso melhor para que o dia-a-dia dos nossos animandos fosse um bocadinho diferente. Depois de tantos anos a fazer campos num ambiente que podemos chamar de normal, realizar um campo numa pandemia não foi fácil. A começar pela quantidade a menos de dias de campo que tivemos a não pudermos acampar e ter a magia e o espírito do costume, claro que não deixamos de estar todos juntos e colocar um sorriso na cara de cada criança presente. Na verdade, todos sentimos falta de uma boa roda, com todos a cantar as nossas músicas de campo e a soltar aqueles aplausos que nunca cansam, mas esperamos que este ano consigamos ter os campos do costume e voltemos a estar todos juntos como antigamente!
Filipa Jales (Pipoca)
Cheguei e tive medo. Olhei à minha volta e só vi prédios e mais prédios. Onde é que já se viu um campo de Candeia numa casa de férias no centro da Ericeira? Então mas a Natureza não é um dos pilares? E como é que vamos chegar a Deus com tantasdistrações à nossa volta? Pronto… vai ser um falhanço este campo, os miúdos vãoodiar. Tenho a certeza que não vão alinhar em nada e nunca mais vão querer fazer atividades com a Candeia. Temos uma equipa reduzida de animadores dos quais metade está a fazer campo pela primeira vez, os miúdos são todos da mesma fundação e por isso já se conhecem todos, e ainda por cima têm idades entre os 4 e os 22, vai ser impossível agradar a todos. Tem tudo para correr mal.
Foi assim que, contra todas as expetativas, começou uma das melhores semanas da minha vida.
Bastou conhecer os outros animadores e começar a preparação do campo para perceber o quão errado eu estava. Rapidamente o terreno à volta da casa, que inicialmente poderia ser descrito como inóspito, se transformou num sítio mágico e perfeito para receber os 24 miúdos fantásticos que vieram dar sentido a tudo aquilo que estávamos a fazer. Desde as tendas que conseguimos montar ao campo de jogos todo arranjado, passando pela magnífica roda com uma sombra construída do zero. Tudo parecia lá ter estado desde sempre.
Mas o melhor foi sem dúvida a chegada. Somos atacados por um nervosismo inexplicável, não se compara aos nervos antes de um exame ou às borboletas na barriga quando gostamos de alguém. Não é nada disso. É uma ansiedade que se agarra ao nosso corpo e faz dele refém: “Chegaram! Os miúdos chegaram!”
É um daqueles acontecimentos que são falados para sempre como “Onde é que estavas durante o 11/09/2001?” mas muito mais importante: “E tu onde é que estavas quando eles chegaram?” Eu estava na cozinha quando soou o alarme, os miúdos não me podiam ver porque eu iria aparecer mais tarde como personagem, mas eu tinha de os ver! Depois de tanto tempo a sonhar e a preparar o campo para “um grupo de miúdos”, finalmente podíamos ver caras! E eles lá foram entrando. Uns sorriam, outros olhavam desconfiadamente, alguns lançavam olhares intimidantes mas todos iam avançando, descobrindo aquilo que lhes tínhamos preparado. Eles trouxeram com eles uma energia
e uma alegria que nos deixaram rendidos. Graças a eles, aquilo que nos rodeava, desapareceu. E o resto é história. Foram 7 dias de pura diversão, reflexão e relação como quem diz, 7 dias de pura Candeia.
A pandemia veio por isso provar-nos que a Candeia são os miúdos e que por mais adversidades que possam existir, a chama jamais se apagará. É da relação que nasce a Luz, seja onde for e com que condições for.
Manel Simões Correia
Chegou agosto: o mês que mais aguardamos durante todo o ano!
Temos tudo pronto para receber os nossos participantes, tudo começa com os faíscas e nós estamos ansiosos pela sua chegada!
#souteuamigosim